segunda-feira, 27 de junho de 2016

A Deusa Selket – Pedro Guardião

O Egito abrigava dois tipos de escorpiões: um mais escuro e relativamente inofensivo e outro mais claro, mais venenoso. A deusa Selkis tomava justamente a forma de um desses animais e, apesar da periculosidade do bicho, era uma divindade protetora e curadora que defendia contra a picada desses artrópodes. Seu nome no idioma egípcio era Serket-Heru, que significa aquela que faz a garganta respirar ou a que facilita a respiração na garganta, já que a picada do escorpião produz asfixia. Essa denominação também se relaciona com a ajuda que a deusa prestava para que o recém-nascido ou o defunto, em seu renascimento, pudessem respirar. Nos textos funerários surge como a mãe dos defuntos, aos quais amamenta. No além-túmulo ela ajudava no processo de renascimento do falecido e o orientava e dava-lhe o sopro da vida. Foram os gregos que lhe deram o nome de Selkis, nome que também aparece grafado como Serqet, Serket, Selqet, Selket, Selkit ou Selchis.

Essa divindade podia ser representada de diversas maneiras:
- Como uma linda mulher com um escorpião na cabeça, como nesta graciosa estatueta em madeira dourada que vemos acima, descoberta no túmulo de Tutankhamon (c. 1333 a 1323 a.C.);
- Como uma mulher com cabeça de escorpião;
- Mais raramente, como um escorpião com cabeça e braços femininos e tendo como toucado chifres de vaca e o disco solar, como vemos na ilustração abaixo, a qual reproduz um bronze de 7 centímetros de altura por 10 centímetros de profundidade pertencente ao Museu do Louvre;
- Como um escorpião;
- Na XXI dinastia (c. 1070 a 945 a.C.) podia aparecer com cabeça de leoa, cuja nuca era protegida por um crocodilo.
Quando assumia a forma de um escorpião, o animal às vezes era mostrado sem cabeça e sem cauda, pois desta maneira ele perdia seu veneno e se tornava inofensivo, podendo ser representado dentro do túmulo sem perigo. E assim era porque os egípcios acreditavam que todos os seres vivos representados nas tumbas poderiam ganhar vida se as fórmulas mágicas adequadas fossem pronunciadas. Portanto, era importante neutralizar o perigo de certas imagens reduzindo-as à impotência. Essa deusa-escorpião se identificava com o calor abrasador do Sol e era uma das quatro divindades protetoras de ataúdes reais e dos vasos canopos, dos quais ela guardava aquele que continha os intestinos.
Trata-se de uma divindade que já aparece no Império Antigo (c. 2575 a 2134 a.C.) como guardiã do trono real e vem rodeada de simbologia mágica. Ela protegia das picadas venenosas de escorpiões, serpentes ou outros animais peçonhentos e curava as pessoas que, acidentalmente, tivessem sido atacadas por esses animais, sobretudo quando se tratasse de crianças e mulheres grávidas. Mas também poderia punir os ímpios com esses mesmos venenos, levando-os à morte. Também era deusa da união conjugal e ajudava as mulheres na hora do parto. Era filha de Rá e cuidava para que a serpente Apófis não escapasse do mundo inferior. Nos textos conhecidos modernamente como Livro de Him no Inferno vem descrito o que acontece no além-túmulo. O deus-Sol tem as 12 horas do período noturno para renascer. A cada hora corresponde um estágio de sua jornada no além. Apófis tenta engolir o deus-Sol durante essa jornada e representa uma grande ameaça. Na sétima hora Selkis aparece para combater a serpente Apófis. Rá em seu barco assiste a captura da serpente. Finalmente Selkis, com ajuda de outra divindade, capturam o demônio e subjugam a cabeça e a cauda do monstro e trespassam com punhais a cabeça e o corpo da cobra. Selkis desempenha, também, um papel importante na lenda de Ísis e Osíris, pois enviou sete dos seus escorpiões para protegerem Ísis do deus Seth que a perseguia.
As relações de parentesco de Selkis não eram bastante claras. Podia ser considerada mãe ou filha de Rá, razão pela qual sua ira era considerada como o causticante sol do meio-dia. Entretanto, em algumas lendas locais de Edfu era tida como esposa de Hórus e mãe de Rá-Harakhti, o Hórus no Horizonte. Os Textos das Pirâmides afirmam que ela era mãe de Nehebkau, uma serpente de três cabeças que evoluiu de uma posição maléfica a protetora do faraó contra picada de cobras, enquanto outras fontes dizem que ela era esposa dessa divindade.
Protetora de vivos e mortos, essa deusa não dispunha de um lugar de culto em particular. Sendo originariamente adorada no delta do Nilo, seu culto se espalhou por todo o Egito e isso pode ser considerado natural uma vez que as cobras e escorpiões eram abundantes no país e o povo precisava de uma proteção mágica contra eles. Embora tivesse sacerdotes dedicados ao seu culto, aos quais ela protegia e delegava seus poderes mágicos, até hoje não foi encontrado qualquer templo que lhe fosse consagrado. Ela figurava sobretudo nas fórmulas mágicas ou nas paredes das tumbas com o objetivo de proteger o defunto de qualquer ataque. As pessoas usavam amuletos com a forma do escorpião para se protegerem contra as perigosas picadas do animal e até mesmo curá-las.
Os sacerdotes de Selkis eram verdadeiros médicos e magos ou curandeiros, dedicados à cura de picadas de animais venenosos. Suas habilidades de encantadores de escorpiões e de serpentes eram muito requisitadas, a julgar pelo enorme número de encantamentos para repelir tais animais e para curar suas picadas que aparecem nos papiros egípcios. Isso indica a extensão do problema, o qual ainda é comum no Egito moderno. Esses homens eram chamados de Kherep Selket, literalmente, aquele que tem poder sobre a deusa escorpião. No antigo Egito um Sacerdote Leitor e um doutor poderiam também ter o título de Kherep Selket. O título de Sunu, que significa doutor ou médico, era atribuído a pessoas que prescreviam remédios tanto médicos quanto mágicos. Hoje em dia os encantadores de serpente usam técnicas práticas para enlaçar suas presas, mas eles também ainda confiam em cantos mágicos.

domingo, 29 de maio de 2016

Resenha – Wicca para Homens

O livro Wicca para Homens, escrito por A. J. Drew e publicado pela Madras Editora em 2002, tem uma proposta bastante interessante – apresentar a religião a partir da perspectiva masculina. Ele explica de início que a Wicca se tornou muito popular em todo o mundo, entre muitos livros já escritos com este título, e defende que o modismo não é uma coisa interessante. Pelo contrário, diz que a Wicca é uma religião viva e em crescimento e o lado masculino necessita de atenção.

Todo o conteúdo é bastante prático e cheio de curiosidades. São apresentadas as diferenciações entre a energia masculina (projetiva) e feminina (receptiva) e as diversas faces do Deus entre panteões e culturas. Entre a teoria, são inseridos exercícios para ser um bom praticante de magia. Ex: Visão, Olfato, Paladar, Tato e Audição – Sentidos que fortalecem a execução de feitiços e rituais. O autor se preocupou em mostrar como o patriarcado e a própria Igreja Católica trouxe distorções para a energia do homem e faz comparações deste legado que carregamos com a bruxaria. São abordados os conceitos Morais, considerados falsos, ligados a Ética Wiccaniana, e suas devidas explicações: “Você nunca deve tentar manipular as coisas pela Magia” – “...Pelo bem de todos e de acordo com o livre arbítrio” – “Você nunca deve jogar um feitiço amoroso numa pessoa, porque estará roubando o seu livre arbítrio”.

A partir daí a obra traz um compilado de feitiços, simbologias de pedras, ervas, chakras e óleos, por setores: Prosperidade, Proteção, Cura, Amor e Viagem Astral. A. J. Drew coloca receitas de incensos, óleos e tinturas de vários Deuses: Adonis, Apolo, Baco, Asclépio, Eros, Hades, Hermes, Cernunnos, Hórus, Odin, Osíris, Pan, Poseidon, entre muitos outros. Ao final, há toda essa listagem com uma breve explicação de cada face do Deus, associações com a astrologia, herbologia, minerais e extratos.

Em geral, o livro é bastante interessante e único. Não chega a ser um estudo aprofundado do Deus e da energia masculina, mas já é um excelente começo. Aqui deixo algumas receitas aleatórias contidas na obra.

Incensos dos Deuses

Eros – Para despertar o interesse amoroso
Quatro partes de pétalas de botões de rosa
Duas partes de folha de louro
Uma parte de goma arábica
Óleo de Eros, ou óleo de rosa para acrescentar à mistura.

Ganesha – Para atrair a prosperidade
Uma parte de erva Damiana
Uma parte de flor de jasmim
Óleo de Ganesha ou de jasmim para acrescentar à mistura.

Odin – Para incentivar a criatividade
Uma parte de pó de cedro
Uma parte de pó de benjoim
Uma pitada de visco branco
Quantidade suficiente de óleo de Odin e óleo de patchuli para acrescentar à mistura.

Óleos Mágicos dos Deuses

Apolo – Profecias, Adivinhação e Cura
12 gostas de óleo de louro
6 gotas de óleo de cipreste
3 gostas de óleo de bagas de zimbro
14 gramas de óleo de oliva, girassol ou palmeira.

Hermes – Expressar seus pensamentos
9 gotas de óleo de sândalo
6 gotas de óleo de benjoim
6 gotas de tintura de resina de almicegueira
14 gramas de óleo de oliva.

Óleo de Hórus – Combater a morte e esterilidade

9 gotas de óleo perfumado de sangue de dragão
6 gotas de óleo de rosas
6 gotas de óleo de mil-em-rama
14 gramas de óleo de girassol.

quarta-feira, 16 de março de 2016

As Torres de Vigia - Pedro Guardião

Os guardiões, qualquer que seja o nome cultural empregado, já eram conhecidos na antiga Mesopotâmia muito antes dos celtas ou italianos virem, a saber, da sua existência. Os guardiões formam um conceito comum na maioria das tradições mágicas, apesar de serem vistos de modo diferente pelos diversos sistemas de magia.

O sistema de magia que mais se manteve fiel a sua tradição, não permitindo se deixar influenciar por outros sistemas de magia vindo de outras culturas é a magia Strega (Italiana). No sul da Europa, os bruxos da Strega mantiveram-se fiéis aos antigos mistérios estelares.
No folclore da Itália, os Guardiões são citados num antigo mito Strega, que fora recontado no livro “Aradia, o Evangelho das Bruxas”. Neste livro, encontramos o seguinte trecho: “Então Diana dirigiu-se aos pais do início, às mães, aos espíritos que existiam antes do primeiro espírito...”. Estes espíritos são chamados de Grigori na Itália, também conhecidos como os Guardiões, e em outras tradições são chamados, Os Antigos.
Os Guardiões formam uma antiga raça que evoluiu para além das necessidades da forma física. Segundo algumas tradições, eles viviam, há um tempo, sobre a terra e podem muito bem ser a origem da lenda da antiga Atlântida ou da Lemúria. Em algumas lendas, diz-se que os Guardiões teriam uma ligação com o Antigo Egito. Nos mitos de iniciação egípcia, uma das frases-chave para acessar o templo era: “Apesar de ser um filho da Terra, minha raça vem das estrelas”.
Nos antigos Cultos Estelares da Mesopotâmia, havia quatro estrelas “Reais” (conhecidas como Senhores), as quais eram chamadas de Guardiões. Cada uma dessas estrelas regia um dos quatro pontos cardeais comuns à astrologia. Esse sistema único deve datar de aproximadamente 3000 a.C. A estrela Aldebaran, quando assinalava o Equinócio de outono, mantinha a posição de Guardião do Leste. A estrela Regulus determinando o Solstício de verão, era o Guardião do Sul. A estrela Antares assinalando o Equinócio de Primavera era o Guardião do Oeste. A estrela Fomalhaut marcando o Solstício de inverno era o Guardião do Norte.

Torres com os símbolos dos Guardiões foram erguidas como forma de culto, e seus símbolos eram ali depositados como forma de devoção. Tais torres eram chamadas de Zigurates (Montanhas Cósmicas). Durante os “Ritos de Chamada”, os símbolos dos Guardiões eram traçados no ar, de cima das torres, usando-se tochas ou bastões de rituais e seus nomes secretos eram pronunciados.
Nos Mitos estelares os Guardiões eram deuses que protegiam o céu e a terra. Sua natureza, bem como seu nível, foi alterado pelos sucessivos cultos lunares e solares que substituíram os cultos estelares. Os gregos acabaram rebaixando os Guardiões estelares aos Senhores dos quatro ventos. Os cristãos, que sucederam os gregos, por sua vez, rebaixaram os Senhores dos Quatros ventos as principalidades do ar.
Hoje na Wicca, por exemplo, eles são os Guardiões das Torres de Vigia ou Observação. São os Guardiões dos planos dimensionais, protetores do círculo sagrado do ritual e testemunhas dos ritos. Os Guardiões protegem os portais para os reinos astrais/elementais e permitem ou não a entrada e o estabelecimento de energias conforme as ordenações do mago. Em tempos remotos, uma torre era uma unidade militar de combate, e uma torre de vigia era uma unidade de guarda e defesa. Cada um dos Guardiões rege uma torre de vigia, que representa um portal, assinalando as quatro direções.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Resenha – A Clavícula de Salomão

Há anos este livro é publicado, mas nenhuma edição foi realmente fiel a estrutura cerimonial de suas operações. Eis um dia, estava eu despretensiosamente numa livraria e me deparei com uma nova edição, da então desconhecida Editora Chave, que me chamou a atenção. Um livro de tamanho considerável, capa dura e um sumário digno. Dentro, descobri que a publicação teve o apoio do site Megaleitores (www.megaleitores.com.br), uma plataforma que investe em livros não aceitos pelas grandes editoras do País. E posso afirmar que foi a melhor publicação comparando-o com outros títulos similares de editoras renomadas.

A Clavícula de Salomão é uma clássica obra de magia cerimonial do século XVI, estima-se. Apesar do nome, não foi Rei Salomão – figura bíblica – que o escreveu, apenas atribui-se ao seu nome pelo fato de considerar que seus conhecimentos seriam capazes de conjurar espíritos elementais, anjos e demônios, o que a obra aborda. Editado e compilado por Samuel Lidell Mathers, é dividida em duas partes: A primeira traz encantamentos, conjurações, tabelas com correspondências entre planetas e seus dias e horas, anjos, arcanjos, metais e cores, e instruções para se construir o círculo mágico. Além, é claro, dos pantáculos e a base para suas operações. – Aqui, coloco uma observação. Em todo o momento o livro usa a palavra “pentáculo” ao invés de “pantáculo”, o termo correto para as figuras nele impressas. Este, sem dúvida, é um deslize intrigante.  A segunda parte traz especificações e instruções minuciosas para a confecção dos instrumentos utilizados nos rituais, incluindo as vestes, os materiais, ervas, incensos, conjurações e exorcismos apropriados para cada item. Há ainda detalhes sobre as extensas preparações que o ocultista deve fazer antes de cada operação mágica, como jejum, preces e banhos rituais.

Sendo realista, todo o conteúdo é fortemente judaico-cristão, baseado nos conhecimentos cabalísticos e herméticos antigos. Várias pessoas vão achá-lo extravagante, pois hoje, muitas das coisas são quase (disse quase) impossíveis de serem realizadas ao pé da letra e vão contra a liturgia wiccaniana. Mas seu conhecimento pode ser facilmente aplicado em operações modernas – talvez contemporâneas – desde que se siga alguns preceitos inquebráveis. Basta sabedoria e realmente conhecer com que está lidando. Ainda hoje, ordens como a Golden Dawn (Aurora Dourada) e tradições de bruxaria tradicional bebem desta fonte enriquecedora e poderosa.

Não se assuste ou crie um pré-conceito do livro somente por abordar operações com anjos e demônios, caso você siga a Wicca. Muitos são uma coisa só e somente lidando com eles para realmente conhecê-los. E lembre-se, você é capaz de absorver o melhor dele para realizar o que quiser, ou puder.

Pedro Guardião

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

O Deus e suas Faces - Pedro Guardião

O Deus muitas vezes é deixado de lado nos cultos pagãos, como se a energia da Deusa pedisse essa dedicação exclusiva. Isto é verdade em parte, pois não é possível cultuar o Deus adequadamente enquanto não mergulharmos na Deusa e nos despirmos do Deus do patriarcado.

A Deusa nos mostra que ele é seu Filho, Consorte, Defensor e Ancião, e aparece tríplice como Ela.


O Deus Jovem é, antes de tudo, a Criança da promessa, a semente do sol no meio da escuridão. Depois é o Garoto do Pólen, o fertilizador em sua face mais juvenil e traz a energia da alegria de viver, o poder de se maravilhar ante as descobertas da vida, é o experimentador, a face mais sorridente do sol matinal.

Daí surge o Deus Azul do Amor, o rapaz que cresceu e chegou na adolescência e desabrocha em beleza e masculinidade, é o Jovem Deus da Primavera, percorre as Florestas e acorda a natureza. Ele é o Apaixonado, aquele que primeiro busca a Deusa como a Donzela e propicia o encontro. É também o Deus da sedução ainda inocente, que ainda não conhece os mistérios da Senhora. Ele é toda a possibilidade.

Depois ele é o Galhudo e o Green Man, o Deus macho na sua plenitude, o Senhor dos Chifres que desbancou o Gamo-Rei anterior, ele é força e poder, músculos e vitalidade, ele cheira a sexo e promessas. Ele é o Grande Amante, atraído irresistivelmente pela Senhora e é o Provedor, o Sustentador, o Senhor Defensor. É o Senhor das coisas Selvagens, o Deus da Dança da Vida, O Falo Ereto, O Fertilizador. Como Green Man, ele também é o Senhor da Terra e sua abundância, o parceiro da Senhora dos Grãos. O Senhor dos Brotos, aquele que cuida dos frutos e os distribui pela terra.

Mas o Deus é também O Trapaceiro, o Senhor da Embriaguez, o Desafiador e o Ancião da Justiça. Ele nos faz seguir um caminho e nos perdemos para conhecer o pânico de Pan. Ele nos deixa loucos como Dionísio, ou perdidos nos devaneios de Netuno. Ele é o Desafiador, seja nos duelos, seja na guerra, na luta pela sobrevivência... ele é caprichoso e insidioso, ele nos engana, nos deixa desesperados e sorri - porque esse é seu papel, estimular o novo, mostrar que nosso desespero é inútil e só nos escraviza.

Como a Deusa, Ele está na fome e na saciedade, na vida e na doença terminal, na luz e na sombra, no que é bom para você e no que é mau. A Deusa nunca está só, ela tem sua contraparte masculina e, no entanto, Ele só existe por amor a Ela. Aliás, todos nós somos fruto dessa dança de amor. O Deus é o Ancião sábio, o distribuidor da Justiça, seja a que se impõe com sabedoria ou raios; Ele conhece os segredos dos oráculos, mas sabe que são Dela. Ele é o repositório do conhecimento, mas a sabedoria é Dela; Ele lê os sinais da natureza, mas sabe que quem os escreve é Ela.

E o velho sábio vai murchando e se transforma no Senhor da Morte; Ele que é o Senhor dos Dois Mundos, pois no ventre dela, de volta, ele vive sua morte e a própria ressurreição. Mistério e segredo, morte e retorno, Ele é o que atravessa os portais dos quais Ela é a Senhora. Ele, o Caçador, que também faz o papel de Ceifador. Ele que ronda o leito dos moribundos e dança a dança da morte. O Senhor dos esqueletos. Ele, que na dança da morte retoma o brilho do sol e sua face negra se ilumina, em uma explosão impossível de conter, e Lugh nasce outra vez. Ele que é Pai, Filho, Bebê Iluminado, Amante Selvagem, Sábio Educador. Ele, o Deus que se revela apenas pela Deusa.

Curiosidade: O Deus Azul ou Queer

O Deus Queer é considerado o primeiro reflexo visto pela Deusa quando Ela se mirava no espelho curvo e negro do Universo, fazendo amor consigo mesma para criar toda a vida. Ele é a própria imagem da Deusa refletida na luz do êxtase, momento infinito da criação. Se tornou o Seu primeiro amante e é a expressão do amor puro, a alegria ilimitada e a sexualidade em suas amplas manifestações. Ele representa não a heterossexualidade ou homossexualidade em si, mas a sexualidade como o abraço apaixonado do Divino, em cada um de nós e no Universo.

Assim, quando nos ligamos a uma outra pessoa no êxtase do amor, seja numa relação homossexual ou heterossexual, abraçamos o divino em nós mesmo, no outro e no universo. Esta é a chave para começar a conexão com o Deus Queer. Sendo assim, pagãos homossexuais ou bissexuais consideram seu patrono, já que ele pode ser considerado masculino e feminino, amado e se relacionando com ambos.

O Deus Azul é a própria manifestação do amor. Seu nome está associado com Diana, um dos nomes sagrados da Deusa, e a raiz da palavra inglesa 'glass', significando espelho. Isto nos dá a ideia de que o Deus Azul é a própria imagem da Deusa, refletida na luz do êxtase, no momento infinito da criação. Ele é a primeira manifestação masculina da Deusa e por isso está mais próximo da Deusa na maioria das tradições pagãs, o que nos dá mais indícios ainda de sua essência feminina.

Dian Y Glas é a própria manifestação do self profundo, aquilo que nos conecta com o Divino há tanto renegado e esquecido. Ele é visualizado como um Deus azul prateado ou como o próprio céu azulado. O Deus Azul está associado com a primavera, juventude e alegria. Ele é muitas vezes chamado de Espírito Pássaro e o seu principal símbolo é o Pavão com uma estrela prateada no peito.".

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Resenha - Vivendo a Wicca


Este livro, esgotado há anos, de Scott Cunningham, foi lançado em 2002 pela Editora Gaia com 205 páginas. Na altura, a obra fez muito sucesso, pois além da simples e bela capa, aborda numa linguagem mais simplificada os primeiros passos dos praticantes solitários na bruxaria. Cunningham coloca "guia avançado" no subtítulo, pois explora muito mais as vivências práticas e mágicas do que a própria teoria.

Para mim, Scott Cunningham foi um dos primeiros autores a "quebrar" o padrão conhecido da Wicca Tradicional com seus livros, inclusive este. Talvez o autor mais influente nesse quesito, pois sempre teve uma visão mais aberta e plural da religião do que seus antecessores. No início do livro, ele diz:

"Este livro, um guia avançado aos Praticantes Solitários da Wicca, não é um ataque à Wicca Convencional, às Tradições Wiccanianas, aos Covens ou aos procedimentos de treinamento comuns. Ele foi escrito (como seu antecessor) para aqueles que não têm acesso à Wicca Convencional, às Tradições Wiccanianas, aos Covens ou aos procedimentos de treinamento comuns. Alguns verão este livro como um insulto a suas formas de Wicca. Desta forma, eu repito: este é um guia para os Praticantes Solitários que não têm acesso à sua forma de Wicca. Isto não o diminui de maneira alguma, ou qualquer outra Tradição Wiccaniana. Leia este livro com a mente aberta, e lembre-se da época em que você também estava fazendo a busca.".

Na Parte 1 temos a Aprendizagem, onde são colocadas As Ferramentas de Aprendizagem, divididas em Estudo, Pensamento, Oração, e Experiência; O Segredo; Devo Praticar Rituais enquanto estiver Doente?; Os Nomes Mágicos; a Auto-Iniciação; Os Mistérios Wiccanianos; A Wicca no dia-a-dia. - Somente esta parte temos só teoria, daqui para frente, todo o resto é embasado em práticas e exercícios.

Na Parte 2 temos a Prática, que traz um ótimo conteúdo devocional com A Oração Eficaz; As Orações e os Cantos Diários; As Orações e os Rituais de Agradecimento e Oferendas; Rituais Wiccanianos Simplificados; A Magia e o Wiccaniano Solitário.

Na Parte 3 e última, chamada de A Sua Própria Tradição, vemos toda a estrutura de um ritual e o contato com os Deuses, com Criando um Novo Caminho; Os Conceitos das Divindades; Os Instrumentos, Altares, Vestimentas e Jóias (adornos) Rituais; Planejando um Ritual - Parte I e II; As Crenças; Os Regulamentos; Os Símbolos Wiccanianos; O Livro das Sombras; Instruindo (Ampliando o Círculo); Vivendo a Wicca; + Glossário e Bibliografia Anotada.

O Vivendo a Wicca é um livro rapidinho de ler e fácil, pela maneira que foi escrito e pelas boas informações. Realmente não é um  daqueles que você quer parar na metade, por já ter visto centenas de vezes a mesma coisa. Scott sempre traz alguma novidade para compartilhar e, por mais que você ache aquilo "básico", reler sempre agrega uma mensagem nova, que talvez fique escondida no inconsciente. Vale muito tê-lo! Me lembro quando este livro foi lançado, eu, ainda adolescente, tinha muita curiosidade para ler e depois de anos, apesar de tanta expectativa, não me decepcionei. Seu conteúdo é realmente bom!

Infelizmente só o encontramos em sebos com as páginas já amareladas pelo tempo e com um preço um pouco alto. Mas prometo, leia este livro com a mente aberta e você vai aproveitá-lo muito. 

Pedro Guardião    

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Resenha – Feitiçaria Antiga

Na votação que fiz, este livro ganhou para ser resenhado entre os outros dois selecionados do mês: O Livro das Sombras - Migene González-Wippler e O Livro Mágico da Lua – D.J. Conway. A cada 15 dias deixarei uma enquete aqui no blog com três opções de livros e vocês escolherão qual deles terá uma resenha. Os menos votados irão direto para o final da fila, portanto, participem e votem naqueles que vocês têm mais curiosidade!

Publicado pela Editora Madras em 2003, o título de Laura Perry, Feitiçaria Antiga – Dos Hinos Hititas às Esculturas dos Celtas, possui 154 páginas e é dividido em oito capítulos. Ele é fininho, mas possui um conteúdo muito interessante, já que a autora reuniu fórmulas usadas a milhares de anos, de diversas culturas, e as transformou em modernas para que as possamos colocar em prática. Para os que buscam uma leitura mais concisa, com histórias de grandes feiticeiros (as) da antiguidade e fórmulas mirabolantes, este não é um livro para vocês, pois ele é totalmente prático e simples. Vou descrever abaixo capítulo por capítulo para entenderem melhor todo o seu conteúdo:

Capítulo 1 – Lançando um Encantamento

Aqui a autora exprime técnicas e os significados muito bem descritos de encantamento, feitiço e trabalho mágicko [magia], se preocupando com detalhes como a origem das palavras e referências mitológicas, ponto bastante positivo para a leitura. Aborda também sobre o contato com os deuses, maneiras adequadas para segurança ao lançar um feitiço, o espaço sagrado, o estado mental e os suprimentos necessários, com uma vertente bastante wiccaniana.

Capítulo 2 – O Mundo Antigo

Este capítulo é dedicado a diversas civilizações antigas e suas crenças, com referências geográficas, algumas curiosidades e citações de deuses e deusas. São apresentados os Babilônios, Cananeus, Celtas, Cretenses, Egípcios, Etruscos, Gregos, Hititas, Fenícios, Romanos e Sumérios. Confesso que esperava um pouco mais de referências históricas e algumas das principais mitologias de cada povo. Porém, é curioso pelos quais não lemos ou vemos muito.

Capítulo 3 – Prosperidade

A partir deste capítulo são colocados temas para receitas, encantamentos e feitiços. Obviamente, este é focado para o ganho de dinheiro, fartura, sucesso nos negócios e como afastar o azar. São feitiços muito interessantes e o que mais gostei deste capítulo foi o “Uma Colheita Próspera”, realizado com a energia de Réa.

Capítulo 4 – Romance

São colocados feitiços e talismãs de amor e união para encontrar um par ideal. Diversos deuses e deusas são trabalhados aqui, como Afrodite, Hermes, Poseidon e Dafne. O feitiço que mais gostei foi “O Profundo Mar Azul”, realizado com a energia de Mari.

Capítulo 5 – Fertilidade

Pode parecer redundante por causa do capítulo de prosperidade, mas não é. Aqui são dedicados feitiços e fórmulas para libido, gravidez e prazer tanto para a mulher quanto para o homem. O que mais gostei foi um pequeno ritual chamado “Estes Cornos Simbólicos”, com a energia de Minelato, o grande Veado-Lua da antiga Creta.

Capítulo 6 – Proteção

Este é o capítulo que têm mais feitiços e por coincidência o que mais gostei. São várias formas de proteção, tanto espiritual quanto física, com energias de deuses e deusas poderosos como Atena, Hermes, Apolo e Etna e figuras como Medusa e Grifos. O ritual que mais gostei foi “Proteção contra as Forças Sobrenaturais”, com a energia de Brigit.

Capítulo 7 – Cura

Como a autora é também terapeuta holística, este capítulo está recheado de feitiços interessantes, desde curar uma doença física até fortalecer a saúde espiritual. Têm muitas fórmulas com deuses e criaturas mágicas, como um feitiço com Centauro, chamado “Um Mestre como Curador”, o meu favorito do tema.

Capítulo 8 – Divinação

Aqui a autora ensina técnicas para se obter informações através do divino e oráculos milenares. Algumas delas são bastante originais, outras tão antigas que eu não fazia ideia de como utilizar para esta finalidade. Uma que eu gosto é a “Visão na Tempestade”.

A bibliografia consultada pela autora para escrever o livro é excelente. Ele está esgotado na editora, porém, em sebos ainda é fácil de encontrá-lo com um bom preço. A leitura vale à pena e recomendo a todos, pelo teor pagão antigo e por reciclar opções de feitiços, alguns que certamente irão para o seu Livro das Sombras.

Pedro Guardião

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Almanaque Wicca 2016 nas bancas!

O já tradicional Almanaque Wicca da Editora Pensamento pode ser encontrado nas bancas de todo o Brasil a partir desta semana. A edição de 2016 está com uma belíssima capa, no estilo que eu, particularmente, gosto muito, parecida com a do ano passado (2015).

Confesso que fui todo empolgado compra-lo, porém quando o abri para ver os temas abordados e quais os autores dos textos, tive uma leve decepção. No post do ano anterior falei que o almanaque estava com um conteúdo mais sério, mais conciso sobre a religião em si. Neste vemos nitidamente que isso não acontece tanto, pois está recheado de pequenos textos traduzidos sobre assuntos místicos (não necessariamente relacionados a Wicca) e muitas magias aleatórias. Existem alguns textos interessantes, como o “Saindo do Armário de Vassouras”, “Transformando a negatividade com a Magia”, “O que você faz quando a Magia não funciona?”, “A Magia do Poder Menstrual” e “A Deusa dentro e fora de Nós”.

No meio do livreto há o calendário com todas as datas de Janeiro a Dezembro de 2016, bastante funcional para alguns. Lá contém para todos os dias o signo da lua, fase da lua, cor, incenso e a referência mágica da data.

A oração que sempre gosto de conferir nas últimas páginas, desta vez veio dedicada a deusa Atena:

Prece para pedir Orientação

Atena, deusa guerreira grega da sabedoria,
eu peço a tua orientação.
Por favor ajude-me a superar os obstáculos do meu caminho,
abençoa-me com a tua força terna e a tua convicção,
dê-me um conselho sábio e instale coragem no meu coração.

O valor é de R$10,90; possui 160 páginas e quem não conseguir encontrá-lo nas bancas, pode pedir diretamente pelo site da editora:  http://www.pensamento-cultrix.com.br/almanaquewicca2016,product,977-198-184-616-1,125.aspx

Pedro Guardião

domingo, 20 de setembro de 2015

Resenha – Wicca para Todos

Este livro escrito por Claudiney Prieto foi disponibilizado primeiramente na internet, em 2009, gratuito, como forma do autor presentear e auxiliar os buscadores da Wicca no País. Após alguns anos, a Editora Alfabeto o lançou em forma física pelo seu potencial (afinal, todo o conteúdo estava aberto na web) e hoje é uma das obras nacionais mais completas – se não a mais – já publicada sobre a religião.

Wicca para Todos possui 415 páginas e não se compara aos montes de livros do tema que encontramos nas prateleiras das livrarias. Digo isso, pois muito dos temas abordados nele não estão em obras já conhecidas e traduzidas de outros países. Um exemplo é visto logo de início, quando surge o tema “O Início da Religião da Deusa”, que descreve a diferença do Paleopaganismo ao Neopaganismo, onde surgiu a visão do Feminino como Sagrado nos primórdios do mundo e a evolução desta fé até chegar aos dias de hoje. A partir daí são descritas a estrutura da Arte, os princípios, tradições (de uma forma ilustrada e interessante), a Deusa e o Deus, altar, círculo, esbats, sabbats – todos detalhados – entre os demais temas da liturgia wiccaniana. Percebo que este livro veio para suprir a “deficiência” de outros que estão disponíveis, como disse acima, pela visão do autor. Podemos encontrar também uma base de magia, como energia, visualização, correspondências, símbolos, invocações, feitiços e o trabalho com os quatro elementos.

É dedicado metade do livro a um Compêndio de Reflexões, um guia com artigos e pensamentos acerca da Arte e sua Teologia – a parte mais interessante. Claudiney com toda sua experiência escreve sobre temas persistentes e pertinentes da Wicca, muito debatidos pelos seus praticantes, como: Deuses da Wicca, Egrégora e outros Planos de Existência, Visão da Wicca sobre a Vida após a Morte, Nudez Ritual, Autodidatismo na Wicca, A Validação da Autoiniciação, Sacrifícios de Sangue na Arte, Athame: Ar ou Fogo?, Correspondência para Quadrantes, Início da Vida e o Respeito à Diversidade, Tradição: Diânica X Wicca, Wicca e Polaridade, Homotheosis e a Arte, Wicca Cristã não Existe, Wicca e Bruxaria: Palavras sinônimas?, Pagar ou Não Pagar, Leis da Bruxaria, Evolução da Religião, Gardner Wicca e OTO, A Falsa origem da Bruxaria na Idade da Pedra, Biografia dos Principais nomes da Wicca, Um manifesto Pagão, Fag – Perguntas e Respostas sobre Wicca e Compêndio Ritual.

Sem palavras pelo teor das informações ali descritas. Não dá para falar de um por um, senão o post ficaria tão grande que não caberia aqui... Esta obra é o início para sair da ignorância de falar que se sabe tudo sobre Wicca. Há muito o que aprender e vale a pena começar por aqui. Recomendo: http://stoa.usp.br/briannaloch/files/2564/13921/Wicca-Para-Todos.pdf

Pedro Guardião

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Resenha – Livro Wiccaniano do Dia-a-Dia

Esta é uma obra simples, curta e muito prática. Escrito por Gerina Dunwich e publicado pela Editora Gaia em 2004, o livro nada mais é do que um calendário com datas pagãs para todos os dias do ano. Ele é dividido de Janeiro a Dezembro, onde há trechos introdutórios com o significado dos meses e textos explicativos como festivais, deuses e deusas, entradas astrológicas, lembranças históricas, entre outros, para cada dia deles. Encare como uma enciclopédia! Deixo para a curiosidade de todos a explicação do dia 1º de Janeiro, para que também conheçam o teor dos significados:

Este dia é consagrado às deusas conhecidas como Três Parcas, a Bertha, deusa germânica Morrigan e aos deuses japoneses do lar. Muitos bruxos e Wiccanianos modernos do mundo iniciam o ano tradicionalmente com um encantamento de boa sorte e um ritual para abençoar o novo ano com paz, amor, saúde e prosperidade para todos. Esta é uma época tradicional para acabar com maus hábitos e pôr em prática as resoluções de Ano Novo. O primeiro dia de Janeiro era dedicado, pelos antigos romanos, ao deus Janus (de quem o mês recebeu o nome). Janus possui duas faces idênticas que olham em direções opostas: uma para o passado e outra para o futuro. Ele é o deus dos portões e portas de entrada, sendo associado a viagens e início das coisas.”. – página 11.

Como podem perceber, todos os dias do ano possuem uma explicação ou uma associação mágica (muitas vezes bem resumida). Para mim, este livro não chega a ser exclusivamente Wiccaniano como sugere o título, pois várias referências não são lembradas ou celebradas pelos praticantes da religião. Isso inclui datas cristãs e festejos de santos, porém vale pela curiosidade.

É um livro rápido e básico. Gosto de recorrer a ele para verificar alguma data esquecida, que pode colaborar na realização de um feitiço, por exemplo. Ou mesmo para programar um rito devocional.

Deixo mais um trecho, do dia de hoje (17 de Agosto), para conhecerem mais:

Festival de Diana. Todo ano nesta data, a deusa da castidade, da caça e da Lua era homenageada pelos antigos romanos. Este é um dia especial de banquetes, jovialidade e de fazer mágicas para muitos Wiccanianos dianistas, uma vez que Diana é a deusa mais sagrada de sua tradição. Nesta data, no ano de 1950, o místico e curandeiro Oglala Sioux chamado Nicholas Alce Negro faleceu em Manderson, Dakota do Sul. Ele era conhecido por seus grandes poderes de profecia e cura e foi adepto da Dança do Espírito, um movimento religioso indígena americano de curta duração que terminou em um trágico massacre em Wounded Knee, Dakota do Sul, em 1890.”. – página 102.

Ele está esgotado, mas é facilmente encontrado em sebos e com preços bem acessíveis. Espero que gostem!

Pedro Guardião 

terça-feira, 14 de julho de 2015

Resenha – Wicca - Crenças e Práticas

Este foi o primeiro livro (de livraria) que li sobre Wicca e, por este motivo, tenho um carinho especial por ele. Wicca – Crenças e Práticas foi publicado pela Madras Editora em 2002, de Gary Cantrell, engenheiro aeroespacial e Alto Sacerdote de um pequeno coven em Los Angeles. Nos anos 90 ajudou a divulgar a religião em jornais regionais, publicações pagãs e programas de TV a cabo.

Nas primeiras páginas do livro, ainda antes do sumário, Cantrell escreve um pequeno texto com o título: “Por que Decidi Sair do Armário da Vassoura” e fala sobre o crescimento dos praticantes da religião em todo o mundo, principalmente nos EUA, e se orgulha em revelar que é um feiticeiro depois de tanta deturpação ao longo dos anos. Mais a frente ele dedica um capítulo todo sobre o tema, com histórias de como a Wicca foi devidamente constituída e reconhecida em seu País e dá dicas de como uma pessoa pode sair do Armário da Vassoura também.

Em todo momento o autor conversa com você por meio do texto, dando-lhe detalhes, opiniões e sua visão pessoal. Ele deixa claro que o livro não foi planejado para conter tudo sobre a religião nem para aprofundar todos os seus ritos e mistérios, mas que tem o objetivo de dar um ponto de partida no desenvolvimento dos próprios rituais do leitor, sendo assim destinado para uso solitário ou em pequenos covens.

Após passar pelas definições, filosofia, tradições, ética e conceitos, a obra se aprofunda em falar sobre os instrumentos mágicos, um a um, e suas utilidades. O preparo para rituais como purificação, lançar círculo, fechar círculo, invocações dos quadrantes e aos Deuses são muito bem descritos com suas devidas correspondências. No capítulo posterior há uma definição sobre os Mistérios da religião, que em pouquíssimos livros vi descrito tão bem como este. Fala-se sobre os Sabás, Esbats e outros ritos como os de consagração, dedicação e iniciação, bolo e cerveja, puxar a lua para baixo, handfasting, réquiem e meditações, além de encantamentos e adivinhação.

Algo que me faz gostar ainda mais deste livro é sua particularidade nos três últimos capítulos sobre temas que não vemos em outros, que são “Os Desafios Físicos do Bruxo” – dedicado àqueles que possuem algum tipo de deficiência e ainda assim desejam praticar a religião – “O Lado Humorístico” – com histórias engraçadas que podem acontecer com todos nós – e por fim o “Saindo do Armário da Vassoura”, já descrito acima.

Há ainda os Apêndices A, B, C e D, com textos sagrados, invocações, glossário e lojas pagãs.
Em resumo, um dos melhores livros de Wicca que já li. Recomendo a todos por toda a qualidade e particularidade que ele traz. Está esgotado na Editora, mas em sebos ainda é encontrado em bom preço. Quem preferir, também pode ler online por aqui: http://www.magiaeoraculos.com.br/data/documents/Wicca-Crencas-e-Praticas-Gary-Cantrell.pdf

Abaixo coloco um pequeno trecho sobre os Mistérios que comentei:

“[...] A Wicca é considerada uma Religião de Mistérios, isto é, uma religião cuja maior parte da teologia ou retórica é oculta da visão geral. Na Wicca, a palavra Mistério é geralmente usada para indicar o ensinamento ou filosofia específico e singular inerente a cada Tradição, definindo e classificando a própria essência dessas Tradições. Em algumas delas, os Mistérios são verdadeiramente enterrados e apenas revelados após a iniciação; em outras, os ensinamentos fazem parte de um processo de treinamento do primeiro ano e um dia. Em outras, ainda, eles não são absolutamente Mistérios, pois a maior parte de seu conteúdo pode ser encontrada em materiais abertos ou publicados. Cada conjunto de Mistérios compõe-se de muitos elementos. [...]” – Capítulo 4, páginas 75 e 76.

Pedro Guardião

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Resenha – O Livro Completo de Wicca e Bruxaria

Este é um livro publicado pela Madras Editora em 2003, e reeditado em 2015 de Marian Singer. Um fato interessante que o livro trás na orelha é que a autora tem origens brasileiras, por parte de mãe, mas diz que foi nos EUA que passou a ter contato com a magia pela convivência com sua avó, também bruxa. O título da obra é “O Livro Completo de Wicca e Bruxaria – Desvendando os Segredos dos Antigos Rituais, Feitiços, Bênçãos e Objetos Sagrados”. Quando eu, ainda adolescente, me deparei com a capa desse livro, imaginei ser o melhor entre todos os outros que eu conhecia. Porém, como morava no interior e não tinha acesso fácil a livros do tema, demorei em comprá-lo e depois, quando tive condições, já estava esgotado. Felizmente (ou não), consegui encontrá-lo num sebo há pouco tempo e fiquei numa expectativa enorme para lê-lo.

A autora tenta deixar a leitura dinâmica com inserções de boxes a cada tópico do livro, com Fatos, Essência, Questões e Alertas, que, em minha opinião, chega a ser um tanto irritante. Ela coloca no início questões de filosofia e ideologia da Wicca, mostrando a verdadeira imagem das bruxas, quebrando mitos do pensamento comum, fala sobre o renascimento moderno da bruxaria e vida após a morte.

Nos capítulos seguintes a parte prática já tem maior relevância, com outras inserções de orações e amuletos. Marian Singer usa bastante a palavra feitiçaria para remeter aos trabalhos ritualísticos. Logo ela mistura sonhos, símbolos e feitiços e só depois fala sobre as estruturas e significados dos rituais. Em seguida, aborda magia com velas, métodos oraculares, magia natural, magia na cozinha, astrologia e numerologia, divindades, lugares sagrados e por fim, ofícios de um coven.

Me pareceu um livro meio desorganizado, sem uma sequência definida de informações, bastante básico, como se Marian tivesse escrito um capítulo a cada semana, sem se lembrar do que escreveu por último. De toda forma, as informações e receitas colocadas por ela são interessantes, devido a experiência e referências históricas, mas nada além que um livro de Wicca não fale. Nas últimas páginas há um glossário e pequenas biografias de figuras históricas bem legais. Confesso que vendo a bibliografia consultada por ela dá para sentir o porquê do livro ser bastante comum. Não é uma obra que eu indicaria, mas que vale por reciclar alguns conhecimentos.

Pedro Guardião

sábado, 21 de março de 2015

Resenha – Wicca, A Feitiçaria Moderna

Acredito este ser um dos livros sobre Wicca mais famosos que temos traduzidos no Brasil. Ele foi uma das primeiras fontes de informação sobre a religião no país, editado pela Bertrand Brasil por volta de 1991 (o que eu tenho é a 8ª edição), escrito por Gerina Dunwich. O título original é “Wicca Craft – The Modern Witch’s Book of Herbs, Magick, and Dreams”. A palavra witchcraft é traduzida neste caso como feitiçaria, pois remete às práticas tradicionais ou magia folclórica encontradas no mundo todo.

Ele discorre sobre os conceitos da religião e sobre a bruxaria no passado e presente, contando sobre a Era Medieval e o tempo das fogueiras, até a liberação após as últimas leis contra a bruxaria serem revogadas. Nem todos os livros de Wicca abordam este assunto e pelo contexto social e político que Dunwich nos dá, cabe muito bem a lembrança ao que nossos ancestrais sofreram e as novas perspectivas para o futuro.

Ele é um livro bastante prático, introduzindo os significados dos instrumentos tradicionais, cores de velas, pedras sagradas, ervas, símbolos e os rituais da Arte. Dunwich ainda ensina algumas invocações e exercícios para conexão com a Deusa e os mais conhecidos como abertura do terceiro olho, puxar a lua para baixo, consagrações, confeccionar talismãs, incensos, receitas, entre outros. O forte do livro são os Sabbats, com pequenos contextos e rituais já elaborados com o passo a passo e suas referências.

Há um capítulo dedicado a Herbologia muito interessante. Vão desde ervas para os Sabbats, ervas ligadas aos Deuses, ervas zodiacais, nomes antigos até plantas que curam. Permeia ainda sobre os significados das árvores e suas propriedades mágicas, outro ponto forte da obra. Ao final, a autora encerra com A Magia dos Sonhos e alguns significados e encantamentos sobre o tema.

Este é um livro que, particularmente, eu gosto muito e o considero importante para qualquer conhecedor da religião. Há alguns pequenos equívocos, mas que não são gritantes no decorrer da leitura. Como é muito antigo, dificilmente o livro é encontrado (somente em sebos e raras exceções em bom estado). A vantagem é que o temos já em versão online e todos podem conferir: http://issuu.com/grupodeestudosfernandodeogum/docs/wicca_-_a_feiti__aria_moderna_-_ger

Boa leitura!

Pedro Guardião

segunda-feira, 16 de março de 2015

Deusa Hator - Amor, Dança e Êxtase

Hator era a Deusa local de Per-Hathor (a grega Afroditópolis, atual Guebelin) e de Dendera, mas acabou sendo adorada um pouco em toda parte: em Mênfis, como Deusa da árvore "Senhora de Sicócomoro", espécie "ficus sicomorus"; em Tebas, como Deusa da necrópole (Hator-Imentet), "Senhora do Ocidente/do Oeste", com o hieróglifo de Oeste ou Horsamtaui; tinha templos e era venerada em Heliópolis, Atfih, Ombos, Deir el-Medina, Abu Simel, etc. Divindade de múltiplos nomes e múltiplas atribuições, tomou a personalidade de diversas divindades egípcias e estrangeiras, por exemplo, Ísis, Bastet, Sekhemet, Nut e Astarte. Os gregos a identificaram-na com Afrodite (daí a nomeação da sua cidade como Afroditópolis).

A Deusa Hator, por exemplo, é adorada na forma de uma mulher com chifres de vaca e um disco solar na cabeça, como uma mulher com cabeça de vaca ou simplesmente uma vaca, cujo ventre salpicado de estrelas formava o céu. A serpente e o corvo entram na composição dos emblemas que acompanham a sua imagem. Como vaca, a Deusa apresentava seu aspecto de terna mãe, revelando o simbolismo que os egípcios tinham da vaca e do terneiro e que estava expresso na palavra "ames", "mostrar preocupação pelo outro", que era escrito nos hieróglifos como signo final de uma vaca girando a cabeça para lamber o terneiro, enquanto esse está mamando.

A sua representação como forma de vaca, também pode advir da concepção egípcia que encarava o céu como o ventre imenso de uma Deusa com essa forma e cujos quatro pilares de sustentação, os quatros cantos do Universo, eram as suas patas. Realizou-se assim, um sincretismo entre a sua concepção como Deusa do Céu e a representação como vaca, tendo, sob esta forma, assimilando as características de outras divindades veneradas em diversos pontos do Egito precisamente como vacas. A vaca era um animal considerado símbolo da maternidade. Sob esse aspecto, era também figurada amamentando o faraó, em vida e depois da morte. 


Hator é uma das Deusas mais veneradas, conhecida como “Dama da embriaguez e do êxtase", padroeira dos ébrios. O "Mito da Destruição da Humanidade" contém referências específicas aos procedimentos a observar nas festas da embriaguez comemoradas em sua honra, durante cinco dias, com início a 20 de Thot, estação Akhet, primeiro mês do calendário egípcio, equivalente aos meses de Julho-Agosto no calendário gregoriano. Era um momento em que a cerveja era bebida em grandes quantidades e se recitavam poesias eróticas. Hator era também padroeira do terceiro mês dessa estação, Athir. O êxtase-euforia causado pela bebida era entendido e usado como meio privilegiado para entrar em contato com "Ade Dendera" e o copo de bebida era, por isso, outro dos seus emblemas sagrados.

Na mitologia Egípcia é a Deusa do céu, filha do Deus Sol, Ra, esposa de Hórus, Deusa da fertilidade, protetora das mulheres, da astrologia, do casamento, dos vivos e dos mortos, também era Deusa do Amor e da Beleza, muito semelhante a Deusa grega Afrodite ou à Vênus dos romanos. Muitos elementos na maquiagem da Deusa Afrodite é modelado no estilo do Egito de Hator.

A Deusa Hator representava o amor e sexualidade e é ainda, associada com os aspectos eróticos do vinho, da dança e da música. O sitro, junto com a voz da sacerdotisa, proporcionava o principal acompanhamento musical nos rituais culturais, um aspecto próprio de Hator em seu papel como Deusa da sensualidade. Em conseqüência, as vezes, era decorado com o rosto feminino de Hator com orelhas de uma vaca. Simultaneamente, Hator, é o modelo divino da feminilidade, dos caracteres gentis, amáveis, ternos e sensuais associados ao feminino, sendo, no fundo, a Deusa protetora das mulheres. Corporiza tudo o que há de bom e de autêntico na Mulher: a beleza juvenil, a maternidade, a emoção, a alegria.

Era ela que conferia também, poderes de divindades aos faraós entronizados: eles reinavam como Hórus, Filho de ísis, mas detinham os seus poderes enquanto Hórus, filho de de Hator. No Império Novo, a própria rainha era considerada uma encarnação de Hator: o faraó era Amon-Rá e a rainha a Deusa Hator. Um exemplo paradigmático dessa associação, quase confusão é Nefertari, esposa de Ramsés II, cujo Pequeno Templo de Abu Simbel lhe é dedicado, a si e a Hator. Aliás, o altar desse templo mostra a vaca, ou seja, Hator protegendo entre suas patas o faraó, no caso Ramsés II.

É considerada também como sendo uma divindade da Batalha além de ser identificada com a Estrela Sírius. Os Egípcios acreditavam que Sírius detinha o destino de nosso planeta. É para lá que iam as almas dos Faraós e sacerdotes após a morte para "receberem instruções" e ganhar conhecimento. Alguns historiadores pensam que à partir desta estrela chegaram ao Egito os Deuses que ensinaram toda a sua sabedoria a este povo, cuja a forma é de uma novilha, doce e maternal. A novilha celeste, a Deusa Hator e o fiel cão de guarda Anúbis, lembram sem dúvida as crenças duma população camponesa cujas ideias e cujos trabalhos se associavam intimamente aos animais da fazenda e da casa.
A imagem de Hator está presente em muitos dos antigos templos egípcios, como na cidade de Dendera. Seu templo, neste local, foi erguido no período de dominação grega e romana, embora também conservem tumbas das primeiras dinastias faraônicas. As paredes de seu templo estão cobertas de gravações dos Imperadores romanos Tibério, Calígula, Cláudio e Nero.

No templo da cidade de Dendera, dedicado a Hator, as colunas das duas salas hipóstilas têm capitéis em forma de sistro, que era o instrumento musical sagrado da divindade. No centro de uma das paredes exteriores, que era dourada, havia também um relevo representando um sistro, demonstrando a importância deste instrumento no culto da Deusa, enquanto o dourado evocava outro epíteto de Hator: o ouro dos
DeusesHator, a Dourada, é uma das mais antigas Deusas do Egito. Conhecida como a face do céu, a profundeza, a Dama que vive num bosque no fim do mundo, era uma divindade de muitas funções e atributos. A maternidade e o dom do aleitamento eram suas propriedades principais desde os primórdios e assim permaneceram ao longo dos tempos.

Sempre que os egípcios excepcionalmente abandonavam sua terra natal, principalmente para explorar minas ou extrair pedras preciosas, erigiam santuários de suas divindades em solo estrangeiro. Foi assim que os Deuses e Deusas do Egito desfrutaram de uma variada aceitação ao longo dos séculos. O culto de Hator em Biblos, surgiu, ao que parece, através dos contatos comerciais nos quais esse porto do Levante servia como ponto de entrada usado pelos egípcios até os ricos mercados do Próximo Oriente.

A absorção mais completa de cultos egípcios teve lugar na terra que os faraós tiveram sob seu poder durante mais tempo, a Núbia, ao sul do Egito. Ali os reis conquistadores do Império Médio Sunusret I e III, construíram um templo de Hórus em Buhen, e eles mesmos foram objeto de veneração durante o Império Novo, quando Amenófis III e Ramsés II implantaram seus próprios cultos junto aos de Amóm, Ra, Ptah e Hator.

O nome dessa popular Deusa-Vaca, como sugerem os signos hieroglíficos que o constituem, Hwt Hr, significa "Casa/Morada de Hórus", isto é, sendo Hórus um Deus-Falcão, a abóbada celeste era sua mãe e protetora; a sua casa era o céu. Hator, associando-se aqui à idéia de esposa como "moradora" de seu marido.

No ciclo hórico de Edfu surge, não como mãe, mas como esposa de Hórus. Em Kom Ombo, era esposa de Sobek e, como Hator de Dendera une-se à Hórus de Edfu e concebe um filho chamado de Ihy. Como constata-se, Hórus é algumas vezes seu marido e em outras, seu filho.


SÍMBOLOS DA DEUSA:

Os símbolos da Deusa Hator são: o sistro, o disco solar, os espelhos, a cana de papiro, os leões, a cobra, o menat (um colar, usado pelas suas sacerdotisas, não no pescoço, mas na mão, agitando-o).

No túmulo de Seti I, no Vale dos Reis, há uma conhecida representação de Hator e do faraó, de mãos dadas (tocar nos Deuses era uma prerrogativa exclusiva da família real), em que a Deusa lhe estende o colar menat que traz no pescoço. Devido às conotações de renascimento associadas a esse objeto, a cena simboliza o desejo e a concessão do renascimento do faraó no Além.

Uma narração, encontrada gravada na tumba de Tutankamón, conta a história da "Destruição da Humanidade". O Deus Ra ante a rebelião dos humanos, envia sua filha Hator para castigar os rebeldes. Hator, tomada de violenta fúria transforma-se em Sekhmet e se regozija em um êxtase de sangue. Ra, para evitar a extinção da humanidade, embriaga a Deusa com sete mil jarras de cerveja que tinham o aspecto de sangue humano. A ira da Deusa transformou-se em uma doce embriaguez e cessa sua destruição.

As duas Deusas, a irada Sekhmet (conhecida também como Hator do Oeste) e a satisfeita e doce Hator (identificada com a Deusa Bastet e conhecida como Hator do Leste), atuam como as duas faces de uma mesma natureza, expressões extremas de uma única paixão, a ira que pode ser convertida em placidez, o amor que pode converter-se em ódio.

A fúria se expressa na arte faraônica sob o aspecto de leão, encarnado o poder de destruir os inimigos, e com essa forma se representava todo um leque de Deusas protetoras.

Um outro mito, conta que Hator descontente com Ra, foi embora do Egito. Com muita saudade, Ra resolveu trazê-la de volta. No entanto, Hator tinha se transformado em uma leoa selvagem que destruía todo aquele que chegasse perto dela. O Deus Thot, usando alguns artifícios, conseguiu conduzi-la de novo à sua pátria. Ao banhar-se no Nilo, deixa no rio toda a sua raiva. O rio Nilo então troca de cor e se torna vermelho. Foi assim, que perdeu sua natureza selvagem para reaparecer elegante e encantadora. Entretanto, não perdeu a capacidade de retornar a sua antiga forma leonina.

As sete Hator são as fadas egípcias. Ostentando na fonte a serpente "uraeus", dão-se as mãos formando uma cadeia de união. A Deusa Hator em pessoa conduz suas sete filhas. De fato, a Deusa toma a forma de sete divindades benfazejas que tornam favorável o destino da criança recém-nascida. Elas regozijam o mundo com música e dança. O papel delas consiste em orientar, emitir profecias, e não fixar os destinos de maneira definitiva. Mas o enunciado da profecia, em função da magia do Verbo, torna-se por vezes realidade.

Uma estela conservada em La Haye, datada da XIX dinastia, mostra as sete Hator, prometendo uma descendência a um sacerdote de Thot, em troca do culto que ele lhe presta. O contato era fácil entre essas magas e o adepto do Deus da Magia.

Filhas da Luz, as sete Hator têm faixas de fio vermelho com que criam nós: segundo o número de nós, sendo sete o número benéfico por excelência, o destino da pessoa revela-se ou não favorável conforme a decisão das "fadas".

segunda-feira, 9 de março de 2015

Resenha - Uma Voz na Floresta

Trago a vocês mais uma dica de leitura, confesso que surpreendente ao meu ver. É o livro "Uma Voz na Floresta - Conversas com o espírito de Alex Sanders, o Rei das Bruxas", publicado pela Editora Alfabeto em 2011. Este livro foi escrito por Jimahl di Fiosa, Elder da Tradição Alexandrina, com base em suas experiências comunicativas com o mundo espiritual no final da década de 1990, mais precisamente com o espírito do grandioso Alex Sanders. É uma história verídica, comprovada pela própria Maxine Sanders, matriarca da tradição.

Para quem não sabe, Alex Sanders é conhecido até hoje como o "Rei das Bruxas" por ter se dedicado incansavelmente a divulgação da bruxaria e ter iniciado várias pessoas na Arte, numa época em que qualquer tipo de informação sobre o tema era escassa. Foi discípulo de Gerald Gardner, bebeu da fonte primordial e seguiu seus próprios passos dentro da religião que, sem ele, não teria crescido e chegado até aqui. Faleceu em 1988 por problemas de saúde.

A obra conta a jornada de um grupo de discípulos que tiveram a geniosa ideia de contatar seu espírito através de uma tábua Ouija, quase 10 anos depois de sua morte, numa floresta após um ritual de Lammas. O surpreendente é que Alex se manifestou e disse estar ainda vagando entre os mundos em busca de completar sua missão. Sua reencarnação estaria programada para o ano 2000, mas que ainda teria este tempo (de apenas um ano) com esses discípulos para orientá-los e completar o que tinha que fazer. Todo o desenrolar da história é de arrepiar, todas as cenas são completamente visíveis e imagináveis e o amor de Alex Sanders pela Deusa e por seu legado é de tocar o coração.

Por se tratar de uma obra que fala sobre Sanders e seus iniciados, podemos ter pequeninas noções de como se trabalha a Tradição Alexandrina em um ritual, por exemplo, em sua originalidade. Confesso que aguçou ainda mais minha admiração por sua figura e por seus ensinamentos e a cada página, podia sentir Sanders por perto. O final, só lendo! 
Para quem busca conhecer a história da Wicca Tradicional este é um livro indispensável. Caso não seja este o seu propósito, a emoção de uma história com espíritos já te deixará contente pelos seus fatos sobrenaturais e a forma que o autor aborda a realidade paralela. No miolo, Jimahl ainda divulga algumas fotos das sessões originais com a tábua Ouija, em comunicação com o espírito de Sanders.

Boa leitura! Blessed Be.

Pedro Guardião

Vídeos Wicca & Bruxaria

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